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Estátuas de Mim

Fujo de meus fantasmas, eles me encontram,
Impiedosos, são minhas sombras, em mim permanecem,
Sabem de minhas angústias, cantam minhas dores, tecem
As ilusões incontínuas de minha existência, as alegrias espantam.
A solidão é minha doença, incurável, febril,
Lágrimas já não brotam de meu corpo, desterrado, frio,
O simples espasmo de minhas lembranças, distantes
Como os antigos sonhos que tive, alegorias errantes
De minhas inacabadas pretenções...
Meus versos, rimas pobres, sem cor e sem vida,
Lugar obscuro, coma profundo, doença maldita,
Mais tristes que as fendas de luz da tarde esquecida,
Refletem quem sou, penso, sinto, respiro; nada,
Tão só o imenso universo vazio, obra inacabada
De algo que deveria ter sentido, esboço de um ser.
A vida é mui rápida, do céu ao inferno, sessenta segundos,
Rezas sem crenças, sem deuses, dois mundos,
Minhas várias faces relutantes, personagens da morte,
Chegam e logo não mais existem,
Espectros sem faces tentando-me a ser forte,
Meus olhos sem brilho, sem força, profundos...
Subitamente, no horizonte, ruídos dos ventos,
Mais tristes que eu, sucumbem, meus sentimentos,
Minh’alma caída sobre o impossível, viver, amar...
Danilo Ramos
Enviado por Danilo Ramos em 07/04/2006
Código do texto: T135090
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Sobre o autor
Danilo Ramos
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
5 textos (144 leituras)
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Danilo Ramos