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Fim de papel

Pensei um dia que poeta eu fosse.
Comédia, piada de mau gosto.
Poeta, eu! — Tolice juvenil.
Não, não sei escrever. Poetar? — sonho.

Destruo minhas blasfêmias,
É melhor acabar com elas agora,
Antes que tarde seja e outros, por descuido,
Deixem seus olhos caírem nessas mal traçadas linhas.

Prefiro brincar de escritor,
Como não tenho o talento, brinco.
Ninguém pode, deve saber dessa existência infame,
Eu seria motivo de gargalhadas.

Não, devo parar antes que tarde seja
E meu veneno alguém mate...
Devo acabar com as injúrias
Indelicadas que borro no papel.

A caneta pára, não foi feita para tal.
O papel às vezes tem fim trágico,
Este, por exemplo, terá o fim — visceral,
Estomacal,
Anal.
Alberto da Cruz
Enviado por Alberto da Cruz em 16/04/2006
Código do texto: T139888

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Sobre o autor
Alberto da Cruz
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
201 textos (24143 leituras)
15 áudios (1092 audições)
6 e-livros (1207 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 23:04)
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