Rosto em Prisma

Nas cores do sofá, o sobressalto.

No abrir e fechar de portas,

escoa-se sobre a parede

o rosto em prisma, num mundo preto e branco.

No primeiro dia do mês,

O vento move-se deixando tudo fora do lugar.

Balançando folhas em outubro,

Balançando o violino que transpira nos ombros do casaco verde.

Atrás a figura com alma de pássaro permanece imóvel.

Pelo retrovisor,

Longas botas, um guarda-chuva comum e um apressado passo.

Quero esquecer a casa de janelas de vidros,

onde os cachorros fazem festa

e há seres humanos desatentos.

2002

Aglaé Meinberg
Enviado por Aglaé Meinberg em 20/05/2006
Reeditado em 28/05/2008
Código do texto: T159628