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Flor de Melancolia

Melancolia, fértil oásis da poesia.
Ando só pela casa observando o vazio das ausências.
A saudade ansiosa do homem que ainda não conheci.
A pele enrugada, o dedo torto, os cravos persistentes e o latido do cão na rua.

Melancolia, herança recheada de detalhes.
A angústia casada com a paixão.
A falta de um sonho novo, de uma quimera...
E olho os desenhos que a luz pinta através das frestas da janela:
Uma bailarina, uma casinha de teto baixo e um machado.

Melancolia, planeta em que me descubro mais mulher.
E desejo vestir-me de pluma, andar de calcinha e encharcar-me de perfume.
Um banho de tira-teima pra espantar a certa...
Um banho de rosa branca pra ressuscitar a louca...

Melancolia, terra que desperta o valor das miudezas.
Uma poeirinha no canto de um móvel.
A desordem no quarto do menino.
As traças e suas camas na parede.
As taças sem licor e eu sem sede.
O corpo não suado.
O beijo não beijado.
O plano mal traçado.
O verso ainda guardado para o novo amor.

Melancolia, palavra nua.
O que somos nós afronta no silêncio.
Multidão a esmo, saga e dor.

Melancolia, abstenção do desespero.
Coisa morna que não fere, nem goza.
Palavra feminina no gênero,
Mulher é a amplidão!

Alyne Costa,
Ssa, 19 de novembro de 2002

Alyne Roberta Neves Costa
Enviado por Alyne Roberta Neves Costa em 21/05/2006
Código do texto: T160336

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Sobre a autora
Alyne Roberta Neves Costa
Salvador - Bahia - Brasil, 45 anos
28 textos (2615 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 06:44)
Alyne Roberta Neves Costa