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Soneto último

Onde perdi a intensa voz da vida, meu sustentáculo?
Nesta cavidade disforme, onde me pulsa a febre,
Onde meu eco regela-me a mente. Meu casebre.
Aqui somente vaga a imagem triste do espetáculo.

Queria desfazer-me de mim mesma. Desígnio fácil.
Sentar-me entre as flores, ser como elas. Formosa.
Renegar a laje que me guarda, calar a pálpebra lodosa.
Ser somente o vestígio de mim, numa poesia grácil.

É neste momento, a miúdo, que resumo meu fado,
E profiro o fim poético. Pela morte, dou-me vencida.
Uma centelha de minha voz, feito eco canforado.

É no último canto que o poeta encontra o liberticida,
E deixo aos vermes minhas folhas. Deixo-as de lado.
Já que mesmo em minha poesia não desperto a vida.
Myrna RRP
Enviado por Myrna RRP em 24/06/2006
Código do texto: T181643
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Sobre a autora
Myrna RRP
São Paulo - São Paulo - Brasil, 31 anos
26 textos (677 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 16:45)
Myrna RRP