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Epifânia

Cresci e aprendi que no escuro, vê-se mais do que quando às claras.
Cresci angariando dádivas e valorizando mimos impalpáveis.
Colorindo ainda mais minhas vestes, numa disprepância pueril, tornei-me fashion.
Cresci e vi que dentro das limitações, posso ser a melhor, mesmo no anominato das cores e linhas.
Cresci e parei de dar ouvidos a opiniões contrárias ao que vejo no espelho.
Cresci e descobri que melhor mesmo é dividir o doce, e ter com quem xingar o acre comigo...
Cresci, afinei os ouvidos e sigo dançando, no ritmo da vida, aos diferentes sons dos dias.
Cresci e vi que não minto, apenas mudo a realidade ao meu bel prazer.
Cresci e constatei que pior que extraterrestre, só mesmo a humanidade.
Cresci, aprendendo que na preguiça da cama também aproveito o tempo.
Cresci e descobri que as letras tem poder de causar viagens visuais surreais e que completam as figuras.
Cresci vendo a miséria, a discórdia, a fome, peste, atrocidades sem fim, ainda que me acompanhando a degradação, pus o mundo aos meus pés, tornando-me maior e melhor que ele!
Por onde anda aquela criança...

A criança cresceu. Guardada com sua inocência arrogante, saltitante com sua felicidade auto-suficiente, não deixei abalar a menina que fui, conservei-a protegida.

Cresci e vi que meu mundo infantil, coloridamente idealizado, podia tornar-se adulto na simplicidade do preto no branco, mais por causa da criança que carrego dentro de mim, mesmo que acuada pelas imperfeições, não deixei isso acontecer...
Cherry
Enviado por Cherry em 05/06/2005
Código do texto: T22211
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Sobre a autora
Cherry
São Paulo - São Paulo - Brasil, 40 anos
10 textos (1342 leituras)
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