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Às vezes é preciso de um uivo
de um lobo chamuscado de dor
que venha com seu pêlo ruivo
chamando, no morro, a fazer amor
às vezes é preciso muita desilusão
e sentir a flecha passando rente
deitar por nada, sem ter tesão
e usar, nos cabelos, um pente
às vezes é preciso ser um pouco são
comer todas as frutas da mesa
chamar qualquer deus sem razão
e ficar de joelhos, como quem reza
às vezes é preciso ir sem olhar pra trás
cuspir na linha e peitar no desafio
cair de bêbado na calçada, pela paz
chamando a guerra num assobio
às vezes é preciso fazer perguntas
e não se preocupar com resposta
deixar as pernas bem juntas
e não aceitar nenhuma proposta
às vezes é preciso implorar
e chorar pela vida que incendiou
conjugar todo o verbo amar
e gargalhar pelo que acabou
às vezes é preciso ser só um palhaço
não ligar para o desprezo do olhar
fingir que seu destino é um reto traço
e que a vida vai reconstruir e ajeitar
às vezes é preciso esquecer a dor
nem lembrar que se foi enganado
meter o pé, no santo e no andor
e dar aquele sorrisinho de lado
às vezes é preciso entrar numas
ficar na neura e sentir a loucura
ter na boca os votos de umas urnas
e engolir, sem água, o que não cura
às vezes é preciso rasgar o pano
e sair por aí, cantando Chão de giz
que solidão é sina de bicho humano

e, às vezes, é preciso ser um pouco feliz.
Maria Quitéria
Enviado por Maria Quitéria em 08/10/2006
Código do texto: T259319

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Sobre a autora
Maria Quitéria
São Paulo - São Paulo - Brasil
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