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amar(g)o

um gosto amaro na boca
e o olhar sobressaltado
ante aos eventuais murmúrios
da travada seca de mim.
parece que o mar fechou-se
trancou as portas enfim
e não mais se ouvem em silêncio
os sons mistérios das marés.
           vergonha de ser só eu
           de ser somente o que não sou
           de ter somente o que me falta
           e carregar o soluço preso com um cego nó.
                       vergonha de me calar
                       a voz rouca muda e farta
                       da fartura que é tão pouca
                       e de mim suporta o pior.
na verdade a espera é insana
a certeza é prova de que nada há
e o desejo petrificado para sempre
na boca amarga
           sem o gosto do perdão...
Marco Carneiro
Enviado por Marco Carneiro em 22/10/2006
Código do texto: T270321
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Sobre o autor
Marco Carneiro
Euclides da Cunha - Bahia - Brasil
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