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Dívidas

Ah, eu vou embora,
embora eu ainda tivesse tantas coisas a dizer a tantas gentes,
tantas coisas a dizer e que não disse,
porque não posso,
porque não devo,
porque mesmo querendo não quero,
e mesmo sem querer eu tanto queria
(mas eu falei tanto no meu silêncio
que nem posso imaginar que não tenhas me ouvido...)

E como é difícil conviver com a palavra sufocada,
que queria ser dita, não escrita,
que queria ser falada, e não subtendida,
que queria expressar-se em sons
e não em olhares silenciosos,
palavras que tantas vezes me vieram à boca
e que calei
e não por covardia e foi pior
porque para calar, que ironia
tive que buscar em mim mais coragem do que eu tinha,
e não tenho nem certeza
se foi melhor assim.

Ah, dúvidas, incessantes dúvidas,
dívidas que tenho acumulado comigo mesmo,
sem jamais poder pagá-las,
ou apagá-las,
pegá-las displicentes, distraídas
e transformar em flores vivas
o que o silêncio secou...
... e eu até ia esquecendo,
que agora é tarde, muito tarde,
eu já me vou...

Lucas Castro
Enviado por Lucas Castro em 31/10/2006
Reeditado em 12/10/2008
Código do texto: T278518

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Sobre o autor
Lucas Castro
Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
157 textos (6016 leituras)
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Lucas Castro

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