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Mereço-me

Minha idiotia celera-me,
Toda a minha falsidade revela-me.
Aqueles meus poemas roubados,
Os meus grilhões de merda,
Minhas perdições pudicas,
Minhas vergonhas plenas.

Tudo que tenho é estorvo,
Tudo o que sou é inócuo,
Completo o nada com pouco e sobro-me.
Um desejo é um medo,
Elaboro-me, intenciono-me,
Cortejo-me, teleguio-me,
Não questiono, pondero-me.

A minha dor constrói-me,
Laboro o fermento doutro.
De amar sou broxa.
Toda beleza aborrece-me,
Minto-me, cancelo minhas verdades preferidas,
Masturbo-me. A minha paz ofende-me,
Meus partidos tomados,
Meus lados, oposições,
Tudo desvario à sorte,
Emburreço-me bruto,
Feliz e morno.
Antonio Antunes
Enviado por Antonio Antunes em 06/11/2006
Código do texto: T283822
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Sobre o autor
Antonio Antunes
Reino Unido, 41 anos
41 textos (868 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 20:42)
Antonio Antunes