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O vício

não quer sentir o gosto do remédio
não quer o tédio que não seja vício

já de início dispensa a verdade
que é, para si, impertintente:
ela não lhe reconhece dignidade,
ele dispensa sua patente

quer saber é da ignorância
quer saber da turbulência
o vício é um populista da maior eloqüência!

vende por preço alto o que nem tem valor
o vício é um horror disfarçado de santidade
o vício não escolhe idade, sexo nem cor

mas não é democracia! não se enganem!
profanem o vício, profanem!

não é certo nem errado
o vício é quadrado e quer te acorrentar
não o verá atravessar seu próprio mundo
ele vai cada vez mais fundo no seu poço vertical
o vício é, na verdade, um boçal disfarçado de importante
é pirata de um navio que deixou sem comandante

o vício avistará terras e proclamará até independência
com o selo oculto que perfaz sua enganadora transparência
Rômulo Arbo
Enviado por Rômulo Arbo em 09/11/2006
Código do texto: T286728
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Sobre o autor
Rômulo Arbo
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 33 anos
12 textos (472 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 06:04)