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AGONIA

Sei que o respaldo não é
a métrica que se desnuda
mas, no vazar sangrento
de minhas veias, sou
pouco mais do que agonia.

O processo teorema
da interação do ser
é profundo e profuso
até a lenta superfície
deitada ao cumprido
da linha da simplicidade

porque a alma se estende
lá ao longe paraíso
regada e fundida
no universo das coisas.

Para voltar a si
retorne à película do dia
amassado e amarelo
sem forma
em partículas
mergulhado em água
sonhado e sonâmbulo
de eternidade vazia
tocada leve e frondosa
pôr sobre o corpo
de feras e fascículos
de forma a que o tempo
só detenha-se em alguma
noite lasciva
alimentadora de astros
sem nomes e alcunhas.

A brevidade da Vida
tão longa
tão mal distribuída

A insensatez dos sonhos
tão amplos
tão fecundos
formas e magias que nos seguem
até ao lento apagar do espírito.

O homem colado em
seu destino de construtor,
afogado em água regada
ciente da brandura do rio.
Afunilado ao tempo e à lógica
estendido ao céu e ao amor,
tão difuso em suas mágoas
tão divino em suas noites bravias.

Diviso, porém, o dia em que me sentarei,
na soleira da porta, rodeada de meus
versos e protestos, a mão estendida
para o povo e a sua folia,
a voz desfeita num canto rouco
uma certeza solene de morte finita.

Viajada no arco do mundo
só cantarei os meus triunfos.
Jandira Zanchi
Enviado por Jandira Zanchi em 09/11/2006
Código do texto: T286886
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Sobre a autora
Jandira Zanchi
Curitiba - Paraná - Brasil
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Jandira Zanchi