FORNINHO DE PROSA E POESIA

Fantasio que imaginação é reação química.

Elos de moléculas que vão se ajuntando,

desmanchando umas palavras concretas,

construindo outras, díspares, tortas,

desencontradas a uma primeira vista

de quem não põe os olhos além da coisa.

Porque imaginação só vira arte

quando sai do seu habitat.

Ponho olho como cimento,

o coração entra pulsando em jorros feito água

e grossa como areia, a razão tentando amálgama.

Tem hora que dá uma massa amorfa

tem hora que dá boa prosa.

Imagino uma outra química para alimento.

Aí, tiro leite das pedras.

Uso os mesmos ferramentais humanos.

O olho entra como o grão de uma farinha qualquer.

A razão a procurar víscido que dê liga,

já sem a fricção de areia .

Sensível como ovos, o coração tudo fermenta.

Ajeito formalmente no forninho da concepção

E depois de um tempinho em estado de supinação

Provo o gosto com alma faminta

Pra ver se o resultado foi poesia.

josé cláudio Cacá
Enviado por josé cláudio Cacá em 08/10/2011
Código do texto: T3265373
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