Como poesia?

Como falar das angústias do mundo
se tantas são as minha
e de tão gigantescas
quase não as vejo
(mas as sinto
e sinto não me caberem todas).

Como falar das saudade alheias se as minhas
pequenas lembranças que sejam,
pequenos recortes, bilhetes guardados
fotos já esquecidas, tanto me perseguem?

Como compor versos para falar de amor
se não os tenho, apenas os do passado,
e não restaram sequer os imaginados.
Queria transformar em sonho os pesadelos,
resistir de punho erguido às contradições que se apresentam,
cavar buracos em pedras
a procurar saídas mais amenas aos que me precedem,
mas sinto não poder fazê-lo com poesias,
instrumento cirúrgico que em mãos erradas como as minhas
mais estragos fazem que consertam.

E os desdobramentos das palavras e emoções
não me tiram a angústia,
nem me cessam os tormentos,
apenas registram os momentos,
lamentos perdidos na ânsia de me achar.

Ah! Perdidas ilusões,
momentos tolos em que fui feliz.