Lá!(01/02/07)

A vasta ira de minha gula,

A rubra face de minha filha,

Meu cajado na mão...

Sem mais serventia alguma.

O que fazer agora?

Esperar que do alto me venham palavras...?

Não haverá um só dia que eu não baixe a cabeça.

Onde verei meu rosto

Se já não chove a mais de dez anos?

Onde esta quem lá deveria estar?

São as coisas que me restam.

Comer, dormir e ver a ira que eu procriei.

Onde mais poderei estar,

onde me esconder se tudo esta dentro de mim?

Para onde olhar

Se de dia eu vejo,

Se de noite eu vejo,

Se de olhos fechados eu vejo...

Se hoje, já cego, eu vejo.

O que ver mais?

Onde hei de me opor aos aontecimentos

Que não revelam mais nada

Que eu já não saiba.

Me esquivei enquanto pude, mas agora é tarde.

Ao menos um fim de tarde...

Onde deve se encaixar a noite

neste mundo de sete sois.

Sois vós quem vira me resgatar

Quando já não houver o que fazer aqui?

Onde deixei a ilusão de ser feliz??

Nem eu sei...

Por que hei de saber se nunca tive ganância nisso.

Porque sei que aqui estou.

olhando minha gula me devorar

Minha filha se envenenar comigo

Olhando o tempo ferir tudo o que crí ser inatingível.

Mas o tempo passa.

E quando ele passar,

Já não estarei mais aqui.

Pois estarei lá

Onde alguém deveria estar.

Luis Carlos Wolfgang
Enviado por Luis Carlos Wolfgang em 02/02/2007
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