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ORAÇÃO DO COLONIZADO.

Por Geraldo Bernardo.


Senhor Deus! Tenho mágoa no peito.
Não sei ao certo se isto é direito.
Mas, estou farto de ver meus irmãos, camaradas
a mendigar pelas estradas.
Que este mundo presenteou.
À quem não tem diploma de doutor.

Sei que a memória traz de volta a alegria e sofrimento.
Vem desde os tempos de Cabral, esta herança brutal.
Livrai-nos Senhor! Desta sina. Seja para nós o ungüento.
Oh,  Cordeiro! Livra-nos deste destino, deste carma fatal!

Se é dor, não sei! Quisera ao menos compreender.
Mas, falta-me o alento das velhas catingueiras,
O frenesi do enxame de jandaíra, a farra do mel recolher.
É distante o tempo, quando à noite encontrávamos mulheres faceiras,
Numa dança de fogos, praticando o oficio de renascer.
Até que o sol vagabundo nascia comendo a madrugada pelas beiras.

Tende Piedade! Oh Pai!
Não deixes que, aquele que nunca sentiu banzo, qualquer guerreiro,
Seja da tribo, aldeia ou cidade zombe da humildade,
Deste povo, bravo e ordeiro.

Quantas vezes, a cruz, a espada, o fogo e o agulhão,
Cortou, queimou e torturou em nome de um Cristo que não era nosso irmão,
Quantas foram as lágrimas que inundaram os rios tintos
E fogueiras de ibirapitanga outras tantas crepitaram a carne dos tapuias,
Em nome de uma cultura alienígena que pregavam tua fé tão santa.

Perdão! Oh, Pai! Sabiam o que faziam os teus filhos ditos tão amados
Que nos livros do velho continente destruidor  são aclamados, beatificados.
Coube a estes filhos teus, não tão ateus, tampouco blasfêmicos,
A dor, o sofrimento, a agonia das mães que em espasmos e frêmitos,
Rogaram praga aos algozes que estupravam cunhãs e sodomizavam curumins

Em teu santo nome pai, reclamo as dores de outrora,
Esperando que os tempos vindouros sejam menos infelizes,
Pois mesmo nos dias que ora vivemos, os tempos de agora,
Cristãos do império atacam-nos, como as águias devoram as perdizes
E continuam invadindo em teu nome os povos de outras culturas pelo mundo afora.
arupemba
Enviado por arupemba em 25/07/2005
Código do texto: T37510
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Sobre o autor
arupemba
Sousa - Paraíba - Brasil, 50 anos
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