MORTE: FIM ?

Fechada sua tampa, eis que o suntuoso esquife

Vai conduzido em vagaroso e solene passo

Rumo ao frio, lúgubre, hermético espaço,

Morada última do ocupante: energúmeno patife.

Cortejo chega afinal à adornada tumba.

Sob fingidos prantos esta foi lacrada

Após em base granítica ser colocada

A urna que contém a humana carne imunda.

Intacto, o caixão por tempos irá permanecer.

É madeira de lei, resistente a externas destrutivas agressões.

Mas o corpo, ah! já envolto se acha em inelutáveis decomposições.

Nem todo o dinheiro pelo morto legado pode tais algemas romper.

Dentro em breve, como impossível é quebrar esses grilhões

Hão de restar apenas ossos. E o vulto, só em mal assombradas visões.

Alfredo Duarte de Alencar
Enviado por Alfredo Duarte de Alencar em 26/08/2012
Reeditado em 28/08/2012
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