grito oco

minha garganta seca

vomita um grito oco

no escuro diáfano que me rumina,

revolvo na boca da noite

meu beco da morte

o vazio da cama

de mil eras,

reconheço-me

acidentalmente, nada!

essencialmente, falta!

engatinho ir-sendo

ausências e vontades de tudo,

estilhaços do cristal

de forma distante

cortaram-me a jugular

pelo silêncio,

fizeram-me aos pedaços

repetidas existências frustradas.

Alessandra Espínola
Enviado por Alessandra Espínola em 12/03/2007
Reeditado em 14/03/2007
Código do texto: T409831