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Dias que não terminam, noites que não começam.
Verão. Mundo externo enlouquecido, mundos internos desguarnecidos. Prédios alegres serão cobertos pelo verde, pela terra, pelo vento.
Esquecidos, desmoronados, obras passageiras de homens passageiros. A grande cidade, a grande crueldade, tudo esquecido: o papel, a letra, o jornal, o som, a máquina, a estupidez.
“A poesia não terá cantado em vão!”, ecoa o trovão vindo dos Andes, do sul, do antes e do depois dos confins da América perdida.
(Gosto de neve, de pisco, vulcão, cachoeira, truta. Tanta luta, tanta febre, tanta sujeira, tanta emoção!)
“A poesia não terá cantado em vão”, ecoa o trovão.
Apesar da TV (sempre a mesma coisa lerda), dos jornais (sempre a mesma coisa imposta), do mau cheiro, dos predicadores, dos impostores, dos idiotas, dos agiotas, dos sérios homens de podres negócios, dos equinócios, dos políticos.
“A poesia não terá cantado em vão!” ecoa o trovão que atravessou dias e noites e reverberou muito além do hiato decaído desses momentos.
Tênue é a linha que nos separa da idiotice total.
E como tal, melhor seria nos afastarmos dessas mesas
de bar nessas espichadas tardes de verão.
A América esquecida reclama a luta dos construtores de palavras, sílabas, períodos, histórias, personagens.
Tantos leitores que não sabem ler, tantos espíritos encarcerados, escravizados, mesmo os mais letrados, no presídio das ilusões, das grandes ambições, dos grandes sonhos de poder.
Podermos dizer no futuro que fomos atores desta grandiosa epopéia Americana, soerguedores da decadência que nos tem envilecido e empedernido – seremos nós – silvícolas de um continente verde e branco, sul!, fusão de raças, idéias e esperanças.
Novos espíritos, novos homens, novos rumos.
Os mundos de dentro deixarão de ser desguarnecidos e confundidos com os de fora e a voz do poeta ecoando singela por sobre a América querida repetirá, doce e ritmada, a síntese do destino que nos espera.
“Assim a poesia não terá cantado em vão!”

Extraído do livro Guardados Que Vivem  www.nagibanderaos.com.br

Nagib Anderáos Neto
Enviado por Nagib Anderáos Neto em 11/08/2005
Código do texto: T41936
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Sobre o autor
Nagib Anderáos Neto
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Nagib Anderáos Neto