Ao passar pelo ribeiro, onde às vezes me debruço
Fitou-me alguém corpo inteiro, dobrado como um soluço
Pupilas negras, tão laças, raízes iguais às minhas
Meu amor, quando me enlaças, porventura as adivinhas
Que palidez nesse rosto sob o lençol do luar
Tal e qual quem  ao sol posto estivera a agonizar
Deram-me então por conselho tirar de mim o sentido

Mas depois vendo-me ao espelho cuidei que tinha morrido
 
ALAIN OLMAN/PEDRO HOMEM DE MELO
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UMBRAL

Bem junto ao meu corpo,
Debruçado n'umbral do alheamento
Onde o infinito evade-se e divide-se
Ao meu olhar longo e cinzento,
O vento varre o pó da vida e espalha
Grãos de areia na cortina das minhas retinas
E n' alvura da lua veste-me a mortalha.
À espreita,
Da marquise a altura,
Inclino-me à direita
Do umbral na cintura.
E aqui, neste sonho abissal, penso conciso,
Eu vou e volto
E não sei se me solto
Indeciso...


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http://www.youtube.com/watch?v=H12UfdEyGzU

2

http://www.youtube.com/watch?v=HJ-ugf0_YPg





LordHermilioWerther
Enviado por LordHermilioWerther em 18/03/2013
Reeditado em 19/03/2013
Código do texto: T4195723
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