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O corte

A palavra sai de um corte de navalha
Saindo junto com o sangue
Brota, vai fluindo
Dor, agonia

A palavra ensangüentada
Não estanque
Minando

A palavra atormentando o poeta
Não cessa
Perturba

A palavra fervilha
Entra em erupção
Encontra a paz
Estanque
Aqui em paz
Sobre o papel

Transforma-se
Revigora-se
Qual vírus
Procura outras mentes
Perturba outros sonhos
A palavra epidêmica

A palavra navalha
Palavra sangue
Faminta
Palavra viral
Transfigura
Letal.
Deijair Miranda
Enviado por Deijair Miranda em 16/08/2005
Reeditado em 16/08/2005
Código do texto: T42879
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Sobre o autor
Deijair Miranda
Pojuca - Bahia - Brasil, 41 anos
116 textos (5515 leituras)
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