DESPEDIDA

Disse impropérios

bradou, reclamou

que meus ritmos

não mais suportavam

sua cadência

Afirmou que a caligrafia

não acendia

mais suas palavras

tremeluzentes

Falou que já não podia

com minhas rimas

com os versos brancos

na sua empreitada

ela já estava

aos trancos e barrancos

Há muito andava

cansada da minha companhia

não queria mais viagens

no meio, nem no fim do dia

não se arrepiava

com meus ácidos arroubos

nem queria andar de mãos dadas

e me deixou feito louco

Enfim ela saiu sorrateira

à francesa e derradeira

das minhas páginas

foi embora a poesia

junto com a prosa

Agora que faço com esse alfabeto

de coisas extensas no meu peito

que se acha poeta?

E que me espreita e espeta

acumula saudades do poema

caí na alma feito chuva

encharcando meu ser

como um edema

Helena Istiraneopulos
Enviado por Helena Istiraneopulos em 11/05/2007
Código do texto: T483276
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