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Tempestades

Vinham tempestades, fortes, turbulentas

Em mares revoltos de paz adormecida

Três barcos fúnebres enterravam meus lábios no azul

Da tua boca fria pedindo novamente o calor

Sorria e chorava em frações doentias de segundos

Ia desmorrendo na seda suave do teu corpo

Que me exalava devagar

E enxugava minhas lágrimas secas pela dor

Fechava-se a cortina

Abria-se teu corpo, implorando pela carne

O sangue jorrava, litro, doces

Em que te afogavas num gozo lúcido de desejo

Ia te devorando em prantos nítidos

Com sombras desfiguradas dançando pela parede

A caçoar dos atos involúveis nossos

Chama quente, queimava à vela

Tuas palavras desaparecidas na poeira das horas

Vento das frases não ditas

Meu coração, fraco, por fim

Explodiu em prazer interminavelmente infinito

E ficou o gosto da sua boca, o sabor da sua saliva

A textura da sua mão sobre meu rosto

Profundamente no verde vazio dos teus olhos

As lembranças terminam

Quando o sol volta a nascer


Wesley
Enviado por Wesley em 15/09/2005
Reeditado em 15/09/2005
Código do texto: T50595
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Sobre o autor
Wesley
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 30 anos
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