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Das Tantas Mulheres Que Sou

Queria ser já velhinha - olhos miúdos - a fazer renda...
Ser a filha de santo, de branco e patuá - levar oferendas a Iemanjá.
Ser a menina sapeca, com fivelas e sardas e fazer cobras com massa de modelar ... Que a vida é arte, de crescer e criar.
Queria ser perua maquiada, e no alto de um salto me embebedar de perfume e tornar-me fada.
Ser travesti - dourada em punhal e purpurina - que a vida não traz falhas e é feita de muitas esquinas.
Ser vendedora ambulante de sombrinhas, miçangas e loção cicatrizante. Que a vida, vez por outra, é uma pausa no ballet do imprevisto.
Queria ser carola que ora e buscar num cálice o sabor da fé.
Ser meretriz nos arredores das docas. Me vestir e despir pra três amores: o estivador, o capitão e o mar.
E das tantas e tontas que sou, por vezes me arrebento.
Sou desejo e sou lamento.
Mas das tantas mulheres que sou, todas elas estrelas em movimento.
Delas me nutro.
Outras me invento.

Alyne Costa, Salvador, fevereiro de 2005
Alyne Roberta Neves Costa
Enviado por Alyne Roberta Neves Costa em 01/03/2005
Código do texto: T5477

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Sobre a autora
Alyne Roberta Neves Costa
Salvador - Bahia - Brasil, 45 anos
28 textos (2615 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 04:27)
Alyne Roberta Neves Costa