RÉVEILLON 



   "Ignorant d'où je viens, incertain où je vais..." [Lamartine]




Estoura o champanha, estoura...
Deixa o champanha espocar...
Com ele explodem angústias,
O sangue e os nervos,
A ânsia do esperar.

Comemora a entrada do Ano Novo,
Já velho pelo teu ceticismo...
Bebe nesta taça
A gota da dúbia esperança
E nela degusta
O gosto da pretensa tranquilidade.

Brinda a ti, a mim, ao mundo,
Às coisas que não sabes
Nem conheces,
Apenas adivinhas...
Alegra-te,
Falseia,
Recita os poetas,
Elogia os amigos,
Ri de ti mesmo,
Mergulha na euforia,
Revela teus desejos,
Farta-te da glória fugaz,
Exorciza os demônios,
Depura os amores,
Apaixona-te por alguns momentos,
Sorve mais uma gota
De esperança.

Vai! Embebeda-te.

Amanhã, o champanha do teu corpo
Saberá ao amargo da vida.
A mudança cabe a ti,
Não ao calendário.
Que a ceifeira é diligente
E conhece a hora certa.

Acorda. Cura a ressaca.
Réveilles-toi de tes rêves!
Ano Novo é vida nova,
Roupa nova à vida antiga.
Arregaça as mangas.
O trabalho é teu (sempre foi).
Os dias desfilam.
Nada mais.

Vamos, sonhador tolo...
Embebeda-te de novo.
                   Tim-tim!
                   Feliz Ano Novo! 


                      
                

 
(*Poema de 2008, com modificações nessa publicação.)







Com música de fundo AQUI
KATHLEEN LESSA
Enviado por KATHLEEN LESSA em 31/12/2015
Reeditado em 14/01/2016
Código do texto: T5496333
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