Soneto da Insanidade

A água jorra, abundantemente,
- e a gente fica tão feliz por tê-la! -
até se esquece que lá vem Portela
passando mórbida e mui fremente.

Então a gente abre a janela
e vê o mar subir ao céu plangente,
numa lufada de langor ausente
daquela pausa de palor da vela.

Mas o que é isso? – indaga toda a gente -
É só os versos frios e arraigados
que sempre pensam o papel tão pouco...

É nada disso! – exclama o descrente -
É na verdade os versos desvairados
dessa poesia do poeta louco...

Alzx©
Manhuaçu, MG, 15 de abril de 2016



Soneto Senil

Naquela tarde, dum azul sedento,
quando voavam as mais gordas vacas,
se entrincheiravam na poeira as pacas
a s’esconderem dos véus de cimento.

Tocava alegre a triste melodia
grafando sol às corcundas do céu,
e a roubar a cena do pobre papel
que ater-se à lutas já não mais podia.

E toda a gente, muito indignada,
punha-se pasma atrás da cor de anil
que se avistava ao sol da noite fria;
ninguém que fosse vivo adivinhava...

...qu’era senão a inspiração senil.
Tudo é possível a quem faz poesia...

Alzx©
Manhuaçu, MG, 15 de abril de 2016
Aleki Zalex
Enviado por Aleki Zalex em 24/04/2016
Reeditado em 20/05/2016
Código do texto: T5614856
Classificação de conteúdo: seguro
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