Gaiola

Sabiá acorda a madrugada

Garnizé cantou bem cedo

Desperto todo o passaredo

Manhã nem se fez iluminada

Hora de abandonar o ninho

Voar livre... seguir seu caminho

Gente também é quase assim

Enquanto prepara o cafezinho

Sonha ser um pouco passarinho

Na pressa nem nota o jardim

A Rosa brotando colorida

Beija-flor namora margarida

Asas ao céu... pés no chão

Aparentemente distraídos

Em alerta os dez sentidos

A vida não tem pena, não...

Só é igual quando termina

Preciso ser meio de rapina

Perigo de todo lado

Estilingues, atiradeiras

Amizades interesseiras

Igual olhar desconfiado

Pássaro pousa no muro

Ele imagina seu futuro

De migalha em migalha

Buscar o sonho impossível

Ou o que houver disponível

Conta o pouco de dinheiro

Assovia ao canário no poleiro

Confere se fechou a portinhola

Fim do dia... tira a cangalha

Bendita hora de descansar

Dormir até o sabiá cantar

Pra evitar atraso ou falha

Acerta o cuco e cantarola

Feliz de não estar preso na gaiola

Pedro Galuchi
Enviado por Pedro Galuchi em 17/10/2016
Código do texto: T5794740
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