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SAPO BEIÇUDO

Eu falo da renovação do apocalipse
das legiões de mendigos
que o céu vomita nas ruas

Deuses de carne podre
amassam fedentinamente
os seios em forma de lagos da Terra
afundando
feito pupilas na hora do desmaio
e o fogo que urra pelas ruas é uma
figura desesperada de cabeleira e nuvem
de rendas e o o fogo perfumado
como se o inferno amasse a primavera
num incesto

E esse sol perfuma o universo com hálito vermelho-amoníaco
gosto do Sol devorado à mesa coberto de misérias

E a moral?
te abocanha feito um sapo beiçudo
dentuço e canibal

O campeão? o campeão
balança o sexo impotente
à meia-noite em pé
num vagão enferrujado.

E o céu arrota o som do eclipse
pela longa boca enjoada
e de nojo
comerei o raio que a tempestade
me atirou
quando derrapamos
na curva sem saída
onde a lua injeta heroína
no olho-pântano
e a morte fuça latas de lixo
miséria cristã! santificando desdentados
num altar de latas vazias.
Eriko y Alvym
Enviado por Eriko y Alvym em 27/08/2007
Código do texto: T625994

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Sobre o autor
Eriko y Alvym
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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