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BEM-TE-VI

   O dia começa.
   O bem-te-vi indiscreto
   grita sua indiscrição do alto da mangueira suburbana.

   Berra desnorteado o homem do gás: nada vende.
   A moça de salto e batom barato vem mais atrás.
   Vem cansada do dia,
   acena, marcando a orgia, no tempo de logo mais.

   O bem-te-vi fotografa,
   avisa que bem-a-viu,
   espalha-espelha o boato,
   equilibrando-se no fio.

   Volta à mangueira o intruso,
   no subúrbio é recluso,
   do subúrbio é refém.
   Aos gritos do bem-te-vi não escapa nada ou ninguém!

   É o homem da marmita
   que apanha da mulher,
   é o vendedor de sonhos,
   o vendedor de picolé.

   É a criança com o gude,
   o homem que amola a faca,
   é a linha, é o cerol, é o carro da pamonha.
   Numa janela qualquer, qualquer moça tristonha...

   O dia termina.
   O bem-te-vi mais discreto,
   cansado de tanta indiscrição
   cala a noite da suburbana mangueira
   imersa na escuridão!
Jeaney Calabria
Enviado por Jeaney Calabria em 31/08/2007
Código do texto: T631789

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Sobre a autora
Jeaney Calabria
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
3 textos (53 leituras)
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