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Com meus olhos de sombra


Te amo, estranho que não mais verei
com meus olhos de sombra.
Não troco as minhas fantasias 
pelas tuas realidades.
Prefiro lembrar-me da ternura de nossos momentos
a ter certeza da cor de teus olhos.
Me debruço na beira da janela e sonho
mulher - pássaro ao encontro de minhas asas.
Te vejo de olhos fechados como um filme colorido
pelos lugares onde passam os ônibus em que circulo.
És o herói dos bang - bang dos fins de noite
e das histórias açucaradas dos filmes de fim de tarde.
E para quem bebe comigo sentada no bar da esquina
conto meu grande segredo: está no fundo do copo,
taça do mais fino cristal.
Com sangue novo nas veias corto ruas e dobro esquinas.
Finjo que nem te conheço se por acaso te vejo.
Meu sangue novo me aquece, lança fora meus demônios.
Cubro o lixo com o tapete e escrevo versos quebrados.
Fingindo que sou poeta vivo fazendo besteiras.
E pra esquecer tanta asneira
bebo vinho as seis da tarde.
Por que te amo tanto, estranho,
do qual já nem me lembro
sequer o nome do meio?
( do livro em preparo COM OS MEUS OLHOS DE SOMBRA)

Maria Olimpia Alves de Melo
Enviado por Maria Olimpia Alves de Melo em 09/09/2007
Reeditado em 09/09/2007
Código do texto: T645408

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Sobre a autora
Maria Olimpia Alves de Melo
Lavras - Minas Gerais - Brasil
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Maria Olimpia Alves de Melo