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Lentas vozes da fumaça

A fumaça do céu me diz em lentas vozes ilógicas,
Melancólicas
Animadas
Que meu pedido de sanidade
Minha vontade
Lancinante como um raio
Onde em desespero eu caio
Não passa de desejo
O qual eu vejo
Como sempre vi....
Que não tem como se realizar

Bem que tentei
Não sei onde errei
Quando me cansei de ser eu
Quis ser o mundo
Sobrepujar o caos profundo
Ser uma coisa lógica
Compreensível, insensível
Como tudo à minha volta
Abandonando a imensidão cósmica
E não ser mais o turbilhão que sempre fui.

Quando não mais quis viver como um vivente
Quando tentei ser lógico, uma peça que todos entendem
Uma poesia clara, e não um murmurinho de idéias doentes
Uma letra coerente
Algo fora de mim
Pequeno assim,
Como o mundo exije.

Quando tentei pensar fora de minha alma
Pedi que me fosse mostrado como fazer
Como conseguir pensar, escrever, para que todo mundo entenda
Sem pensar que se trata de uma mera emenda
Palavras únicas, feitas por e para uma mente fechada
Que sobre si mesma repousa, em calma angustiante e acomodada
Nesse momento pedi....

Mas as fumaças me mostraram, em lentas vozes
Calmas, sorrateiras, incomuns e destoantes
Que assim eu não seria mais como antes
Não teria perdão, perdão de mim mesmo
Me mostraram que eu entenderia com clareza
Me acomodaria  na maior certeza, e isso me dava medo.


Medo de ser como
Um mero brinquedo
Em um jogo de palavras vazias, essas sim seriam vazias
Porque não sairiam de mim, não seria algo anormalmente...
Normal....
Não seriam parte de um cosmo ilógico
Que de tão confuso torna-se fundamental

Então,as vozes na fumaça
Alegres, melancólicas, fizeram-me ver
Que eu não poderia assim querer ser....
Que teria que permanecer
Na sanidade insana de minha alma
Buscando na desorganização do pensamento
A minha própria e particular.... calma.

Vitor Souza
Enviado por Vitor Souza em 15/09/2007
Código do texto: T653315

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Sobre o autor
Vitor Souza
Piracicaba - São Paulo - Brasil, 38 anos
19 textos (1278 leituras)
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