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O sangue de mil, o sangue de um

Quando a mente percebe a fraqueza
Nunca mais sente-se de novo
Sente apenas jorrar o sangue
Sangue nosso

"Sangue nosso que corre nas veias
Santificado seja o teu sal
Venha a nós tua labuta
Seja feita tua sangria
Assim no dia como na noite

O pranto nosso de cada dia dá-nos hoje
Perdoa nossas dores assim como
Perdoamos os nossos carrascos santos
Não nos deixe que caiamos em esquecimento
Mas livra-nos da nossa memória
Pois teu é o sal, o calor e o chumbo
Que assim seja."

O sangue de um inocente justifica
O quanto de dor se pode causar
Escorrendo pelas calhas da cidade
Caindo nos bueiros podres do subsolo
Sem utilidade, sentimento ou calor.

O corpo jaz inerte e trás nas vísceras
A única verdade que conhece: a morte
Uns riem-se e outros choram, mas
Todos deixam de transitar para observar
Aquela criatura tão vil que derrama
O líquido vivo de sua essência
E ainda sente sua vida escapando

Sério, olha para o lado, mas seu olhar
Parece perdido ou até... MORTO
Viveu para o trabalho.
Morreu para o esquecimento.

Tudo inútil... Tudo inútil?

Construíram um país para nós
Nossos pais e nossos avós
E hoje, não importa
Está tudo pronto,
É só abrir a porta

O sangue de um daqueles
Vale mais do que o sangue de mil dos nossos
E o sangue de mil dos nossos
Não vale o sacrifício de uma gota
Do sangue de um daqueles
Gabriel Caetano
Enviado por Gabriel Caetano em 30/10/2005
Reeditado em 13/11/2005
Código do texto: T65448

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Sobre o autor
Gabriel Caetano
Irlanda, 66 anos
89 textos (3735 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 16:51)
Gabriel Caetano