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O AMOR ╔ TEU NOME

Foi o amor...
Sim! Só ele poderia...
Foi amor!
Mas não um amor qualquer
Desses que passam feito os silêncios noturnos
Que se dissipam aos primeiros cantares dos galos.

Foi o amor...
Sim! Só ele saberia...
Foi o amor mais lindo que existe
Aquele que transcende a hipocrisia,
A falsidade e as mentiras que nos subjugam.

Sim! Foi amor!
O amor de mãe a uma filha...

Quando, em meu ventre, eu te resguardava,
Sonhava com todas as coisas que faríamos juntas
Desde o teu nascimento, até o dia que Deus me permitisse.

Eu já pensava nas bonecas, nos vestidos,
Em teus primeiros passos, em tuas primeiras palavras.
Eu já vislumbrava um mundo todo teu
Com todas as possibilidades que a vida nos reserva.

Eu queria que um dia tu pudesses ser tudo o que não fui.
E, por um tempo, pela minha ignorância, ou por medo,
Ainda não sei ao certo,
Acreditei que tu serias incapaz de ser o que és!
Alguém muito melhor do que eu...

Foi amor que me mostrou que as diferenças existem
Para que possamos conviver e aprender com elas
E assim nos tornarmos pessoas melhores.

Foi amor que me salvou!
O teu amor!

Quando tu nasceste, percebi nos teus olhos algo diferente.
Isso ao mesmo tempo me encantou e me assustou...

Mais tarde, veio alguém e me disse
Que tu havias nascido com uma deficiência...
Nunca mais me esqueci daquelas estranhas palavras:
Síndrome de Down...

Palavras que ecoaram profundamente em minha alma
Durante muito tempo!
Pois nem sei quantas vezes,
Perguntei a Deus por que isto estava acontecendo comigo?
Logo eu que tinha tantos sonhos...
Tantas expectativas para com a minha menina...

O que seria dela neste mundo desumano
Onde uns passam por cima dos outros com uma fúria imensurável
Simplesmente para obter tolas vantagens?

O que seria dela ante o preconceito de alguns
Que por ignorância nunca a olhariam como uma pessoa
E sempre como uma deficiente, uma incapaz, uma coitada?

Porque tantos rótulos, meu Deus,
Para classificar um ser humano e suas diferenças?
Mas todos somos diferentes!
E é por essas diferenças todas que somos especiais!

Como eu a ensinaria a suportar o olhar de desprezo,
De estranheza e medo que se debruçaria sobre ela?

E se um dia ela me perguntasse:
Por que, mamãe, tem que ser assim?

Como eu faria para evitar que aquela alminha sofresse
Por algo não escolhido por ela.

O que foi que eu fiz, meu Deus, para receber tamanho castigo?

Foi o amor...
Sim! Apenas ele poderia me ensinar tantas e tantas coisas...
Somente ele poderia me transformar como o fez!

Mais tarde, em meus braços,
Ele revelou-me alguns segredos.
Coisas que só as mães são capazes de sentir!
Coisas que só o coração pode entender.

E, pouco a pouco, o que era desesperança,
Foi cedendo lugar a um sentimento até então desconhecido!
O que era sofrimento
Foi se transformando dentro do meu peito
Em algo que acariciava e sossegava a minha alma...

Um tempo depois,
O meu coração foi se enchendo de coragem!
O medo de outrora não mais me incomodava
E uma força incontida abriu meus olhos para um novo rumo.

Foi o amor!
Sim! Só ele poderia!

Hoje quando tu chegas com toda a tua doçura
E me abraça de um jeito que alenta minha alma
Eu bendigo cada instante que passamos!
Quando te vejo dançando, cantando, brincando,
Fazendo tudo o que as outras crianças fazem
Agradeço a Deus por ter me concedido
Tantas alegrias e tantas alegrias
Ao teu lado...
Agradeço a ti, com todo o meu coração
Por tudo o que me ensinastes!

Tu és muito mais que eu poderia esperar!
Tu és tudo aquilo que eu jamais serei!

Foi o amor!
Foi o teu amor que me tornou muito melhor
Do que eu poderia ser!

É por isso que
Que amor é teu nome!

Meu amor! Somente amor...

Nem deficiente! Nem excepcional! Nem coitada!

Amor...
Ezequiel da Rosa
Enviado por Ezequiel da Rosa em 31/10/2005
Cˇdigo do texto: T65578
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Sobre o autor
Ezequiel da Rosa
Cachoeira do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 39 anos
11 textos (479 leituras)
(estatÝsticas atualizadas diariamente - ˙ltima atualizašŃo em 05/12/16 23:06)
Ezequiel da Rosa