A SOLIDÃO DA BAILARINA

Sapatilha de ponta, leve flutua

Olhar ao espelho, ensaio extenua

Cabeça sonha no mundo da Lua

Baila a estrela às sós pela rua

Desejo infantil de quanta menina

Ser do elenco primeira bailarina

Sai só do teatro quando o show termina

Para num bar qualquer de esquina

Intenso aperto fere o coração

Sorri aos aplausos, chora à solidão

Essa tristeza persiste sem solução

Falta alguém que lhe segure a mão

Longa madrugada rola na cama

Imagina-se no mar intocada ilha

Ouve elogios, apesar de tanta fama

Não tem par pra dançar a quadrilha

Queria um Arlequim que lhe sorrisse

Sentir no rosto confetes e serpentina

Entre os pares sem que ninguém a visse

Ser no baile apenas uma Colombina

Vão-se os dias em dolorosa rotina

Dança no palco admirada rainha

Entretanto basta fechar a cortina

No palco da vida dança sozinha

Pedro Galuchi
Enviado por Pedro Galuchi em 03/03/2019
Reeditado em 05/03/2019
Código do texto: T6588857
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2019. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.