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Alma gêmea



Ouço tua voz no meu silêncio
Penso, então, no vício do momento
Preso a este inglório movimento
Que me explora e draga à tua ausência

Vejo teu olhar me desejando
Sem temer a hora encolhe e quando
Resemeia a morte deste lírio
Que desfaz a força em farto pranto

Vivo sob a espada de um delírio
Que isola a lógica na sombra
E relembra à lágrima um martírio
Torturando a dúvida que sobra

Tua alma é presa a um pensamento
Que renasce em flashes por segundo
E explode em seixos num tormento
Me arrastando do pilar do mundo

Mesmo agora sinto a agonia
Do meu íntimo a te desejar
Sem fazer esforço a me forçar
Reviver um sonho em pleno dia

Imagino só se poderia
Agarrar teu corpo nos meus braços
E beijar-te até te sufocar
No desejo que nos uniria

Ai esse desejo que delira
Derretendo a hora na sua pira
Desfazendo a fúria que, então, finge
Provocar-me se fazendo esfinge

Sinto nossos olhos se cruzarem
Um azul de raio que me atinge
Chega-me o calor do teu desejo
E a tua face lindamente tinge

Flagro o teu olhar constantemente
E em seguida um leve desespero
Da razão que torna em pesadelo
Todo sonho que não vem da mente

Ouço esta razão que impõe receio
Ao calor que cruza esta distância
Atirando cobras no caminho
A temer a minha insistência

É chegada a hora e me levanto
Esmagando medos com meus passos
Quase a flutuar no teu encanto
E os teus olhos me atirando laços

Vejo que, então, sorris sem graça
E os teus lábios tremem levemente
Sobre os meus repousa uma mordaça
Que me cala involuntariamente

Pouso a mão na tua sobre a mesa
E me abaixo num gesto perfeito
Junto nossos lábios que se fundem
Sob aplausos cheios de despeito

D.S.
Djalma Silveira
Enviado por Djalma Silveira em 24/09/2007
Código do texto: T666298

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Sobre o autor
Djalma Silveira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 49 anos
267 textos (10546 leituras)
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