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ÓPIO RETICENTE

ÓPIO RETICENTE
SANDRA RAVANINI


A janela abre a marca da solidão que me acompanha
e não há mistérios nem dragões guerreando nos luares,
nem mais infância remendando belos sonhos nos teares,
restando somente o bronze da fuligem que me banha.



Aberta à neblina entorpecida, este ópio reticente
vai banhando a lembrança duma doutrina sem espera,
profetizando amanhãs igual ao ontem se ora revela
a estátua empoeirada rindo à ceguidade que me vence.



E na vidraça reflete um sol vermelhecendo a lanha,
escarnecendo do tear infante enquanto a agulha insulta
a costura da imagem no espelho retalhado em culpa,
desfilando para a janela a derrota que me ganha.



A janela fecha o trecho e a sina desfiada emaranha
descortinando a vida em farrapos chorando no varal,
a desbotada gota escoando o que restou do festival
e da fantasia destruída na lembrança que me arranha.

17/09/2007
19H55
Sandra Ravanini
Enviado por Sandra Ravanini em 17/10/2007
Código do texto: T697926

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Sobre a autora
Sandra Ravanini
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
161 textos (7172 leituras)
21 áudios (625 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/08/17 22:19)
Sandra Ravanini