ENSANDECE

Ela perdeu-se de ilusões,

pulou a janela e deixou as lembranças na cama, para enganar.

Partiu em busca dos sonhos prometidos,

com os lábios vermelhos, de batom, envelhecidos,

Tão jovem que era, maquiou a idade

A fim de voar.

Tolheram-lhe a viagem, apreendida na estação.

Confiscada do sonho, voltou para o cenário insondável,

Misterioso, solitário e abominável,

onde perdeu a alegria nos lábios derrubados,

esquecidos de sorrir.

Jamais encarou outros olhos,

amedrontada a refletir

já não fala, ensandece

ensimesmada.

Em castelos de areias,

hoje planta sonhos

sementes desperdiçadas

Em searas alheias.

Dalva Molina Mansano

Dalva Molina Mansano
Enviado por Dalva Molina Mansano em 20/09/2020
Código do texto: T7068140
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