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A agonia do deserto de gelo

Deserto de Gelo

Um mundo branco perdido onde o silêncio sente saudade do alarido
Asfalto frio livre da poluição, varrido pelo vento gélido acompanhado da solidão.
O infinito branco é o cenário marcante da ave migratória, que sente o frio cortante.
Mas em formação aquecedora buscam esperança além do horizonte.
Tantos se aventuraram e pereceram, tentando teu mistério desvendar
Sucubiram pela tua defesa fria e mandaste mais cedo com Deus se encontrar.
Os dedos de Deus em tuas rochas frias formam lindas esculturas
Enfeitando o teu semblante que é aplaudido por tuas criaturas.
Rochosos iglus aquecem pequenos homens que de ti tiram alimento
Como um pai amoroso de tuas entranhas provê o sustento.
Gelaste o segredo da importância que tens de gelado permanecer
Mas a ganância desenfreada quer a tua imagem derreter.
O filhote da mamãe ursa polar que em teu tapete fica rolando
Desliza calmamente em tua fina camada que aos poucos está acabando
A orca tua filha amada desfila para as câmeras curiosas,
mostrando seu dorso e cauda, pois neste reino frio ela é majestosa.
A montanha branca que o mundo está sempre refrescando, no lugar de lhe agradecer tentam lhe destruir e vemos tudo desmoronando.
A natureza gelada que é um presente divino, chora por estar exaurindo.
E o imenso deserto branco a passos lentos vai sumindo.
A gigante estufa da poluição que solta negras lágrimas que aquecem
A fria montanha sente o calor e de tristeza suas estruturas padecem
Se o deserto branco pudesse falar, um grito agudo de dor ele daria.
E o mundo com grande remorso, perdão a ele pediria.
O imenso tapete branco já testemunhou os pingüins se acasalar
Os namorados apaixonados na branca neve no trenó deslizar.
Testemunhou elefante marinho no imponente cortejo de um guerreiro
defendendo seu harém do jovem rival matreiro.
Testemunhou o leão marinho perseguindo o apetitoso e rápido crio,
a serelepe foca saudando com as nadadeiras, o penetrante e cortante frio.
A realidade do deserto branco aos poucos deixará de ser real
A ganância desenfreada do homem é uma arma que se tornou letal.
As paredes de gelo em documentários nossa posteridade há de ver
O pólo norte está sucumbindo e nós vamos deixá-lo morrer?
Quando você ler ou ouvir estes versos, imagine a dor do fogo queimando.
Pois é assim que o grande deserto de gelo sente que  sua vida está acabando.





“A natureza chora, ao ver que o homem destrói tudo que ela fez para alegrar e tornar a nossa passagem pela  terra mais suave”.



ARTONILSON MACEDO BEZERRA
Enviado por ARTONILSON MACEDO BEZERRA em 27/10/2007
Código do texto: T712870

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Sobre o autor
ARTONILSON MACEDO BEZERRA
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil
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ARTONILSON MACEDO BEZERRA