Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Morte

Senti um arrepio.
Foi a morte que passou.
Tão perto que
quase me levou.

Foi um sopro na nuca.
Levantou os pelinhos.
Me vi branca e morta
estirada em um caixão.

Basta um só minuto
e a lâmina afiada.
O sangue rola no chão
e suja todo o tapete.

Vou brindar ao momento
em que pude perceber
que é bem mais fácil partir
do que ter que começar.

Vou fazer da vida festa.
Vou me vestir de vermelho,
pintar as unhas de roxo.
 e encrespar os  cabelos.

De que lado é a vida afinal?
Ou será que só tem esta
sem ter jeito de voltar?
Que desespero me dá

aquela ardente sensação
de pescoço retalhado.
Em duas eu me divido.
Uma apodrece no chão.

E a outra? Será?
Sei não.Sei não...
É melhor me prevenir
e adiar esta viagem.

Meu coração  apertado
como um velho enrugado
ou um maracujá ressecado.
Tanta angústia em meu peito.

A morte passou perto
mas dessa vez me livrei.
A foice raspou em mim
mas eu, rápida, me abaixei.


(do livro inédito de poemas: Mapa da Vida) 





 
 

Maria Olimpia Alves de Melo
Enviado por Maria Olimpia Alves de Melo em 01/11/2007
Reeditado em 02/11/2007
Código do texto: T719712

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Cite o nome do autor e o link para http://marilim.net). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Maria Olimpia Alves de Melo
Lavras - Minas Gerais - Brasil
1107 textos (324175 leituras)
1 e-livros (258 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/10/17 16:11)
Maria Olimpia Alves de Melo