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Dos Nobres Ofícios

Não há magnificência no ofício de ser poeta,
Tampouco no de ser físico.
É grande o poeta, como é grande o físico,
Tão somente enquanto coisas da natureza.

Dizer aos outros homens
“Eis a árvore verde que derrama as flores”
E compara-la ao cântaro que transborda
É tão vulgar quanto explicar a árvore
E não compara-la a coisa alguma,
Nem com outra árvore.

Cantar ou explicar as coisas é saber-se sozinho e insuficiente,
Do contrário, não haveria razão para cantar ou explicar as coisas.

A enfermidade do poeta,
Bem como a enfermidade do físico,
É saber-se pouco,
É sentir a grandeza aflitiva e misteriosa
Das coisas.

Fossem o físico e o poeta iguais às coisas,
Haveria mais silêncio no mundo.

Fossem o físico e o poeta superiores às coisas,
As árvores explicariam o físico
E cantariam o poeta.

Corso
Enviado por Corso em 19/11/2007
Código do texto: T743923

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Sobre o autor
Corso
Balneário Camboriú - Santa Catarina - Brasil, 34 anos
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