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CASA DE JORNAL

FIZ UMA CASA DE JORNAL
E FUI MORAR...
EU TINHA UM NENÉM
SEU CHORO TINHA SOM DE MORTE
FIZ ESTA CASA PARA FUGIR DA SOLIDÃO
FECHEI O CADEADO
E MEU NENÉM CESSOU O CHORO
POR TODOS OS VINTE ANOS SEGUINTES NÃO O OUVI
ACHAVA QUE HAVIA MORRIDO
MAS COMO SABER O QUE ESTÁ MORTO OU VIVO?
A RELAÇÃO É TÃO PRÓXIMA
E NUNCA APRENDI A DEFINIR VIDA E MORTE
PASSEI VINTE ANOS ESCREVENDO
SE FAZIA SOL ESCREVIA A CHUVA
SE CHOVIA ENALTECIA O SOL
E SE A NOITE,
ENTÃO SURGIA...
CONTEMPLAVA A CLARIDADE
MEU NENÉM E EU ADORÁVAMOS VER TODOS OS DIAS
OS ÂNGULOS DA VIDA
TODOS OS PARÂMETROS DA MORTE
APESAR DE NÃO DISTINGUIR MUITO BEM ESSAS PASSAGENS
NÃO CONHECIA MEUS PAIS
NÃO POSSUIA IRMÃOS,
NEM FAMÍLIA,
NEM EMPREGO
SÓ EXISTIA MEU NENÉM E EU
EU ME ALIMENTAVA DE POESIA
OUVI TIROS
FALAR DE GUERRAS
DROGAS E VIOLÊNCIA
MAS ESSES SONS ERAM TÃO DISTANTES...
MINHA CASA DE JORNAL NOS PROTEGIA
POSSUIA UM CAMPO PROTETOR
MEU NENÉM,
NÃO CHORAVA
SORRIA OU SE MOVIA
ERA UM NENÉM DE PANO
MINHA CASA,
ERA FEITA DE JORNAL.
ESCRITA EM 01/11/03 POR JULIANA PACHECO
Juliana Pacheco
Enviado por Juliana Pacheco em 22/11/2007
Reeditado em 30/11/2008
Código do texto: T748067
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Sobre a autora
Juliana Pacheco
Araruama - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
12 textos (164 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/09/17 09:00)
Juliana Pacheco