No Hospital

Ouço os carros 
na rua,
tão longe!

Gemidos,
o vento
chorando?

São passos,
os mortos
voltando.

Nesta noite de outubro
em Belo Horizonte,
noite de profundos silêncios
internos.

não é o bisturi que rasga a minha carne
nem é o clorofórmio que me paralisa:

-é a vida.
    a indecifrável
    estúpida e
    maravilhosa vida!

(E a morte
 espreita,
 tão perto.)