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Meu quarto

Moro numa casa que não é minha,
Um lugar onde sou ninguém,
Tomo uma vida aqui sozinha
Pois quem me ouça não há alguém.

Toco as paredes desse meu quarto,
Mas do outro lado silêncio é tudo,
Vejo o relógio me andar um quarto,
Já lá fora é um minuto.

O Sol me banha por umas horas
E sinto o inferno crescer aqui
E se perguntam onde ele mora,
Vos digo, seu poente,esse é aqui.

Pois nesse quarto tudo se apaga,
Tanto luzes como sorriso,
E nem o dia já me afaga,
Pois me roubaram já o meu riso.

Nos espelhos que aqui reflito
Só há sombras em pesar:
De dia, um opaco prisma aflito,
De noite, um testemunho a insoniar.

E esses vidros que me cercam,
Neles tanto sangue eu já verti,
Mas essas gotas, se não se percam,
Se evaporaram aquém fugir.

A porta vive trancada,
Tal qual janela de um coração,
E sua chave anda quebrada,
Bem como força me falta à mão
De abrir minha morada,
E ver tão quanto foi ilusão.

Se me deito nessa cama,
Talvez prefira que não acorde,
Pois até o sonho não mais me ama
E há muito o medo morde.

E os pensamentos me perseguem
Se haverá além meu quarto
Outros tantos que se falecem
Em alma no anonimato.

Presos como eu no mundo,
No cubículo que tomam a si por vida,
Insipientes, lhes lega o fundo,
Que em vazio a alma foi perdida.

Não mais tenho corpo para sair,
Nem mais asas sinto para voar,
Não há mais sinas por seguir
Nem mais liberdades por desfrutar
Não há mais quartos para me cobrir
Nem mais céu por me revelar.
Vitor Barros
Enviado por Vitor Barros em 10/12/2005
Código do texto: T83662
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Sobre o autor
Vitor Barros
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 29 anos
26 textos (1396 leituras)
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