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O BEIJO QUE SE DÁ NA TERRA

FLOR

Flor escondida entre as flores róseas,
flor saudável de montanhas longínquas,
que nascem banhadas de uma luz santa e benéfica -
a mais suave das luzes.
Flor nascida por forças magníficas, lindo vegetal acariciando
a face de um campo, qual um homem acaricia a face de sua apaixonada mulher.
Flor hílare, que traz uma euforia, um novo dia de boa emoção e de bons carinhos.
Eterno velejar de ternuras cresce no seu destino perfumado,
flor da maior paz! do maior viço!
Flor renascida nos ares da revolta sã,
nos bons ares da natureza triunfante.
Santificado o seu bálsamo amante que escorre nos diversos caminhos
dos homens que certamente almejam vencer..
Cresça! flor da vida, simples e pura,
cresça! assim como a natureza
sempre lhe impôs.
Saiba que as leis naturais são as sagradas.
E para que não seja uma flor maldita, siga as leis do universo,
do universo tão iluminado quanto os olhos carinhosos de uma bela mulher.
Siga o que lhe impõe a natureza que não precisará estar sujeita à decaída lei humana.
A lei natural é a lei da vida, da inteligência universal,
que um dia pensou em criar na face da terra sua própria face.
E criou o homem, que era a sua face, mas não tinha o vigor bendito de sua mente.
Caiu o homem nas trevas, onde tudo de mal prejudica
as fracas carnes de criaturas cegas.
Mas a lei natural é a lei de toda a vida
que, na sua sabedoria infinda, sabe o lugar certo de cada peça
na maravilhosa máquina universal.
Por isso, flor revivida e sentida, seja subversiva aos fúteis poderes sociais,
mas nunca seja subversiva à natureza.
Flor merecedora de nosso cântico, de nossa união, de um novo beijo cândido.
É agora o aroma que se espalha,
é agora sua perseverança que impera,
a sua viva cor que encanta.
Flor querida de nossa existência é a sua sombra que alivia,
é a sua revolta que ilumina a justiça,
é a sua beleza que humaniza as faces.
Flor nascida da profundidade de todo bem,
a reunião de todas as suas forças celestes nos trará nova geração,
com verdadeiros frutos, com verdadeiros homens, com verdadeiras vozes.
Flor nascida da profundidade dos bens celestiais, sua lutadora mente ativa
mostrará as mais belas riquezas existentes entre nós.
O amor e a paz para os grandes frutos da humanidade,
para as florescidas partes de um grande Criador.
Reunião de homens iguais, simples e fortes...



AVES

Na vinha, um amanhecer sem cantiga,
na soberba plantação onde se escondem
as velas mais vastas...
Na vinha se viaja na rudeza do trabalho.
O que cresce sabe o bem de crescer
conforme o beijo que se dá na terra.
Voando prosseguem as aves,
do destino elas são donas
e donas também dos maiores provérbios.
Acima das vinhas
prosseguem as aves,
despertando quem sofre para o dia,
para a paródia.
Um silêncio de mundos inauditos
cobre o espaço.
E quem verte o suor reconhece seu esforço
num alento de discórdia.
Quanto sentimento de ira
a pervagar pelas faces.
Sozinhas, as aves serenam o mundo,
donas dos advérbios
despertam frases
em poetas que morrem sorrindo.
Na vinha, um amanhecer que não pede canção,
pois ele próprio murmura o improviso de sua natureza guerreira.
E o homem num aviso prepara a sua desdita.
As aves exculpem-se em poetisas,
transformando-se em jogo de arte.
E o que parte é o homem para a sua desdita,
num sôfrego granjear de aflições.
Quem murmura é o homem inconcebível no risco de um parto.
E o que parte é o poeta que chora ao ver a ave,
dona da lição de liberdade,
que significa voar, assim, como voam as constelações.



FERNANDO MEDEIROS
 verão de 2006
 
FERNANDO MEDEIROS
Enviado por FERNANDO MEDEIROS em 09/01/2006
Código do texto: T96258

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Sobre o autor
FERNANDO MEDEIROS
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
155 textos (8752 leituras)
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