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ALCOVA DO TEMPO

Adormeço no estrado do tempo,
na noite negra que espanta a compreensão;
persigo o passado, incalculável espaço que arrasto,
como grilhões inquebrantáveis.
pôr todos os atos, antes mesmo de formular um pensamento.

Adormeço no estrado do tempo,
guerreiro cibernético em armadura medieval,
combato a dor, porque muita dor possuo,
combato o medo porque muito medo possuo,
mato o amor, porque o amor possui muita dor e medo,
mas, fundamentalmente, o amor possui muita alegria e
esperança, e assim, também me possui, me violenta,
Impulsiona-me.

Adormeço no estrado do tempo,
quem sobreviverá, aquele que fui, ou quem almejo ser?
existe, de fato, escolha, se meus passos são guiados pelo desespero do momento?

Acordo na alcova do tempo,
faquir moribundo que de tanto beijar na boca fétida da
morte, de tanto gozar na vulva gélida da morte,
enjoou até de morrer.

Acordo na alcova do tempo,
cansado de sonhar sonhos azuis, quando a realidade
é um golpe abaixo das costelas que me atira janela afora,
muito, longe de mim .
Carlos Moraes
Enviado por Carlos Moraes em 11/01/2006
Código do texto: T97479
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Sobre o autor
Carlos Moraes
Campinas - São Paulo - Brasil, 50 anos
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