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lembranças também são heranças

As nuvens agora não estão mais tão escuras,
os raios e trovões estão descansando,
na minha mente.

Volto-me para algum lugar distante,
em busca de serenidade
e paz,
fecho os olhos, mas é tão desconcertante,
essa busca,
essa jornada,
chamada vida.

Quando sorrimos
devemos ficar tristes por saber que depois que a felicidade ir embora sentiremos dor?
Quando falamos de amor
devemos fingir não saber que atrás do amor sempre vem a solidão?

Quem irá me avisar
quando posso estar sendo feliz de verdade?
existirá realmente um amor eterno?
Poderá o pai celestial perdoar todo nosso mal?

Se a cama do homem da rua é uma calçada dura e fria,
onde está a fraternidade do amor?
Se a casa do mais humilde é tão fraca que uma chuva, que vem do céu, a destrói,
quem é que irá falar de um Deus bondoso e caridoso?

Quando a fome aperta a barriga de um inocente,
quando a mãe chora por não ter o que dar ao filho,
quando o pai rouba para levar um pão para casa,
quem é o Deus dessas pessoas?

Se ao pobre e humilde
cabe só dor e sofrimento,
haverá realmente uma recompensa?
E se a humilhação de procurar comida em latas de lixo,
só não é maior que a fome que destrói um homem,
que Deus é o desse homem?

Deus é único, mas onde anda ele?
Será que está agora, contigo, tomando coca cola, ou bebendo uisque escocês?
Será que o Deus é aquele dos Judeus que só pensam em Dinheiro?
Será que o Deus é aquele dos Mais e Incas que se regozija em sacrificios humanos?


Somos nós o holocausto de um novo porvir?
Estamos nós na bandeja
para servirmos como oferenda?

Se um homem ama uma mulher,
 isso pode sustentar as carências de um lar?
se uma mulher ama um homem, pode ela conviver com alguém que é perdedor?

Todos queremos vencer,
Todos queremos acreditar
que há realmente uma recompensa,
mas não há certeza alguma.


A única certeza é a morte,
sim,
ela livra de todos os males,
ela socorre os sofredores,
e acolhe os que são humilhados...

Só a morte liberta,
só a morte é finita,
só a morte é certeza na vida,
só a morte é fim da dor,
só a morte é o fim de tudo...


Ah, minhas mãos que escrevem o que o coração sente,
ah, coração que sente o que não devia sentir,

lembra coração,
lembra que já sorriu,
lembra que já amou,
e quiçá, mesmo sem saber,
possa ter sido amado...

Lembra coração,
existe o amor em algum lugar,
me lembre coração,
de continuar essa busca,
mesmo em meio a tormentos mil,
mesmo em meio a devaneios tantos,

Me lembra, de que, se morrer,
não poderei voltar para contar o que aprenderei...

O esquecimento pode ser bom,
mas as lembranças, mesmo quando dolorosas, podem
nos fazer contar histórias,
mudar rumos de outras vidas,
lembranças também são heranças, mesmo quando não as queremos..
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 25/03/2006
Código do texto: T128449

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes