MINHA JANELA

da minha janela eu vejo

os gatos tomando sol nos telhados

os pássaros em sua faina diária,

as crianças a caminho da escola

os cachorros que levam seus donos para passear

ouço as maritacas de manhã, fofocando no telhado

o apito alegre do sorveteiro,

o caminhão de gás assassinando Beethoven

e o chique-chique do trem de carga longe dali, indo para Jundiaí

pela minha janela passam dragões, cavalos marinhos e transatlânticos disfarçados de nuvens

e pela janela que dorme aberta nas noites de verão

entra o brilho das estrelas e a luz do luar

da minha janela aprecio o céu azul, rosa, amarelo, lilás

mas fecho a janela para o céu escuro e cinzento,

os ventos e as tempestades

da minha janela eu costumava ver o sol se pôr,

lá no fim da cidade, onde agora há um prédio,

mas eu sei que o sol está lá e continua o mesmo

então entorto um pouco o pescoço e continuo a apreciá-lo

da minha janela eu vejo a avenida e seus letreiros,

carros, ônibus, motos, bicicletas

vejo gente que vai, vejo gente que vem

por ali passa um pouco da vida da minha cidade

assim como eu também diariamente

passo minha vida por outras tantas janelas

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