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Ser criança



[Resposta poética a Edgar Alejandro em Dias de Infância]


Ah, meu amigo mais que querido,
não deixe jamais de querer ser criança
e não conseguir mais ver o sentido,
da farra, da ilusão, da esperança.

Fazer parte desse mundo é gostoso,
é daquele jeitinho que sempre foi;
brincar de pega, bater cara manhoso,
pula mula, figurinha, pelada e taca boi.

O sol é bom, é festeiro pra vento e pipa,
a chuva é chapisco de barro na molecada,
a lua, ora, a lua! hora de ranger a ripa
e dar aquele susto legal, na velharada.

É ficar de alegre, sem tomar ciência,
da política, das dores, dessa leseira,
esquecer tudo o que torra a paciência
e comer um monte de doce e besteira.

É ganhar roubado na boleba e no braço,
correr quando a vidraça fica no caminho,
jurar por tudo, que era mamona ou bagaço
e que quem atirou a pedra, foi o vizinho.

Esconder o estilingue, e só usar pras goiabas
do quintal daquele tio, todo resmungão,
dar corrida nos cachorros e nas vagabas
e acabar o detergente na bolinha de sabão.

E mais que tudo, de toda essa gostosura,
de poder se sujar com todos os molhos,
pegar sapo, nadar pelado, sem frescura,
é manter o brilho da ingenuidade nos olhos.
Maria Quitéria
Enviado por Maria Quitéria em 10/10/2006
Código do texto: T260610

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Sobre a autora
Maria Quitéria
São Paulo - São Paulo - Brasil
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