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A MINHA UNICA MUSA III

ALMOGRAVE
 

"Chamamos Conhecimento claro àquele que se adquire não por uma convicção nascida de raciocínios, mas por sentimento e prazer intenso da coisa mesma"

                                                                            Espinosa[1]

 

A nudez da  estrada, uma bóia e uma cadeira destruída e uma pergunta. Onde vamos ? Se vamos ? E esta  vassoura nua é da casa e dói. Corrida breve dos pássaros negros sobre o amarelo da casa amarela. A caligrafia junto aos ossos, na praia onde dói o arame da consciência azul. Os restos da cadeira sobre os braços, e os olhos frágeis e vermelhos. Como a visão de um abdómen jovem rente á janela, fértil e doce. O membro sobre a coxa, o carro, em grande velocidade, verde. O pigmento prende a pastel a rugosidade do sentimento branco. Enquadra os lugares nos olhos, nas suas bóias pesadas. O medo, o terrível medo, a confusão do medo armado. Quem és tu ? Eu sei-me. Tive e não fiz. Fiz sem ter pela noite crua, a cru o medo é amplo e diário, o que aqui é o que  me toca? Onde está o braço, o colo, o quarto? derrapa o esqueleto da   cadeira sentada entre a estrada e a casa. Quero apenas deitar-me ao teu lado sorver a tranquilidade de um trago e um véu e uma camisola cinza escura e rosa  na praia de Almograve, suave é o outono, é de noite e beijo-te no areal claro

 





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[1] In Gisela da Conceição, Espinosa, Um claro labirinto, Campo das letras, 2002, p.37.


 
José Gil
Enviado por José Gil em 31/10/2006
Código do texto: T278589
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Sobre o autor
José Gil
Portugal, 63 anos
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