Ao amigo que eu não soube ter, o irmão que poderia ser

Da varanda de minha casa

via passar um gigante

e seu filho.

Todos os domingos era sagrado:

Meio-dia,

lá vinham eles.

Em uma mão o jornal,

na outra, a mão do menino.

Letra maiúscula

puxando as minúsculas

formando monossílabo: Pai.

Os anos engatinharam...

Tornei-me colega.

Ele quis e viramos amigos

O destino nos quis vizinhos.

Eu aqui e ele ali.

Eu que vivia tão sozinho

não soube entender

a intensidade daquela amizade.

A vida nos levou

por caminhos diferentes.

Ele lá e eu cá.

Os anos correram como atletas...

Nos reencontramos.

Possibilidades de resgatar

aquela amizade.

Mas outra vez o mistério do fazer

produziu eu ali e ele acolá.

Afogava-me em dogmas e preceitos.

Nos distanciamos novamente...

Ao perceber que na vida

Só colhera solidão e dogmas,

Tentei-me aproximar.

Enviei-lhe cartão.

A distância que determinei

Era tamanha

Que as felicitações

não chegaram ao seu coração.

Afogando-me neste oceano-deserto,

traço estas linhas

pensando naquele que poderia

ter sido mais que amigo,

irmão:

Sândalo, Mel e Figo.

L.L. Bcena, 15/08/2000

POEMA 700 – CADERNO DOS ANJOS

Nardo Leo Lisbôa
Enviado por Nardo Leo Lisbôa em 24/01/2012
Código do texto: T3459033
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